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  • Cássio C. Nogueira

O que é ERRADO e o que é CERTO?



Tem essa mulher inteligente, cativante, comunicativa, coerente e profissional, que busca uma vaga na indústria do jornalismo e decide gravar um vídeo para se candidatar a um emprego. Sendo algo para a TV, ela aposta em seu estilo para emoldurar e destacar sua competência e potencial e, então, ela arruma seu cabelo com lindos braids (similar aos dreads) e que combinam perfeitamente com seu rosto. O homem que dirige o vídeo diz a ela que deveria mudar o penteado, porque é errado usar braids no ambiente profissional e, por causa deles, ela jamais conseguiria um emprego decente. Ela recusa o conselho e mantém seu lindo penteado... Seu nome é Treasure Roberts*. Fotógrafa e jornalista multimídia de grande competência, ela (com seus cabelos com braids, lisos ou do jeito que seu estilo escolhe no dia) é, hoje, repórter do principal noticiário da WMBD/WYZZ, filiada à poderosa rede norte-americana CBS.

Esses qualificadores opostos como “errado vs. certo”, “defeitos vs. virtudes” e “fraquezas vs. forças” são comuns nos discursos cotidianos, principalmente quando se trata de comportamento, atitude, conduta, opinião e valor das pessoas, seja no ambiente social ou profissional.

Palavras aparentemente inocentes, simples e precisas, esses termos, contudo, expressam julgamentos subjetivos e não valores reais sobre as pessoas às quais eles são dirigidos. Se você refletir um pouco, perceberá que tais termos não passam de armadilhas e armas que as pessoas usam para atender seus interesses pessoais e que podem ou não ser nobres. De uma forma ou de outra, essas expressões estão longe de representarem fatos absolutos e podem criar sérios problemas para quem as recebe ou mesmo para quem as profere!

Isso acontece, porque eles não são termos precisos de maneira alguma, pois dependem da perspectiva, do contexto, das referências e da percepção de quem as usa para que tenham algum sentido. Até mesmo quando falamos de leis, certo e errado são valores questionáveis e dão margens a interpretações diversas! Ainda assim, esses termos nos enchem de certezas que podem, na verdade, ser equívocos de graves consequências.

Minha sócia, Beatriz Lacerda, publicou um relato** sobre sua principal “fraqueza” e, tal qual o tema de sua postagem, ao conversarmos sobre o assunto, ela me trouxe a frase: “Faça da sua fraqueza uma fortaleza.” De certa forma, trata-se de uma estratégia positiva, mas a mudança mais eficiente deve partir do discurso e não apenas da ideia de “transformar algo ruim em algo bom”, até porque não há esse “ruim”!

Note que, em essência, não há um “errado”, nem um “certo”; o que há é o “inadequado” e o “adequado”, ou o “desconfortável” e o “confortável”, ou ainda o “intolerável” e o “tolerável”, assim como há o “improdutivo” e o “produtivo” e que assim o serão, dependendo do contexto em que você se encontre. Você deve ser a pessoa quem determina se será um ou o outro, de acordo com o que você deseja, acredita, pretende, gosta ou está disposto a fazer!

Da mesma forma, as pessoas não têm “defeitos”, nem “virtudes”, como não têm “fraquezas”, nem “qualidades” ―aliás, “qualidade” é semanticamente um termo neutro, nem negativo, nem positivo. As pessoas têm “características”, as quais podem ser complicadores, em alguns contextos, ou úteis, em outros, e elas têm “habilidades” que podem ainda não ou já dominar. Legitimamente compreender e incorporar esse conceito permite a você buscar contextos nos quais suas “características” seja valiosos recursos, bem como investir no desenvolvimento daquelas “habilidades” que você ainda não domina, mas somente quando elas forem realmente necessárias e facilitadoras.

Essa mesma postura frente aos adjetivos qualificativos é de grande utilidade àqueles que buscam pessoas para ocupar funções importantes em suas empresas ou mesmo em suas vidas, pois poderão identificar o verdadeiro valor dessas pessoas, estando livres de todo o significado questionável que acompanha tais termos.

Experimente adaptar seu discurso, tanto interno, quanto externo, eliminando esses termos absolutos e substituindo-os pelos mais flexíveis e coerentes. Você irá se surpreender com os resultados. _____________________

REFERÊNCIAS

* https://bit.ly/33N3lux (Yahoo!)

** https://www.linkedin.com/pulse/fa%C3%A7a-da-sua-fraqueza-algo-que-te-torna-especial-beatriz-lacerda/

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