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  • Cássio C. Nogueira

O que é FAKE é FALSO?

Atualizado: Nov 23



Muitas pessoas que chegam até meu consultório em busca de melhorar a comunicação vêm atrás de técnicas práticas e estratégias fugazes, que as coloquem em uma posição de serem prontamente compreendidas e aceitas, da mesma forma que sejam capazes de influenciar os outros para atenderem seus interesses, por mais nobres que sejam.


A questão é que as técnicas e estratégias são acessórios, algo apenas para incrementar e aperfeiçoar aquilo que já é bem estruturado. Comunicação é sobre autoconhecimento, conhecimento do sistema que acomoda o contexto e conhecimento do outro.


Vou explicar com um exemplo.


Embora eu seja fluente em Inglês, sou adverso ao “inglesismo” e sempre dou preferência aos termos da língua portuguesa em meu discurso. Outro dia, uma amiga postou uma brincadeira dizendo que tinha três perfis fakes, que ninguém desconfiava, mas que muitos questionavam se seu perfil real não seria fake. Para estender a brincadeira, no meu melhor espírito sarcástico, comentei: “⸺Eu sempre achei mesmo que você era falsa! ;)” Ao que ela respondeu, disfarçando a indignação: “⸺Cassio C. Nogueira *fake Falsa é outra história. rss´” (sic.).


Percebam onde estão as armadilhas da comunicação. Fake, em inglês, significa precisamente “falso” e, em ambos os idiomas, o termo pode se referir à veracidade ou à originalidade de algo (uma afirmação, um produto, uma notícia, etc.) e ao caráter de uma pessoa (seu comportamento, seu currículo, sua competência, etc.). Entretanto, essa minha amiga ⸺e muitas outras pessoas, talvez por não conhecerem o idioma anglo-saxão a fundo⸺ entende que fake é um perfil de rede social irreal ou uma notícia mentirosa, enquanto que “falsa” é uma pessoa de caráter questionável, ou seja, duas coisas completamente diferentes e inconfundíveis!


Nesse caso, foi só uma brincadeira e qualquer possível mal-entendido foi prontamente evitado com um emoji de gargalhada. Entretanto, mais do que raramente, esse tipo de discrepância semântica leva a conflitos sérios, nos quais ambas as partes têm a certeza de estarem se expressando de maneira clara e do que o outro teve a intenção de dizer, quando ambos, de fato, estão integralmente equivocados tanto quanto à clareza de suas expressões, quanto à precisão na identificação das intenções do outro.


Por isso, quem quiser realmente melhorar sua comunicação*, ou melhor ainda, a pessoa que quiser se relacionar melhor com os outros, terá como primeiro passo entender profundamente como ela própria enxerga o mundo e compreende os signos e os sinais de seus cenários de convívio. Feito isso, ela irá explorar o máximo das possibilidades que o ambiente em que ela vive pode oferecer ("diversidade" é a palavra-chave para o desenvolvimento!), para entender as relações e dinâmicas desse sistema (as regras do jogo). Por fim, ela desenvolverá a habilidade de “se conectar com o outro” em nível emocional, ou seja, aprenderá a ser empática, a praticar a construção de um contexto de harmonia, envolvimento, encantamento, deleite, uma ligação intelectual, emocional e intimista com aqueles com quem se relaciona.


Se você gostou desta história, comente e deixe os seus exemplos de comunicação e relacionamento para que outros possam aprender com aquilo que você já desvendou através de suas experiências! <|;)

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* É assim que tratamos a comunicação e o desenvolvimento pessoal, no Instituto COMUN!CAGEM.