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  • Cássio C. Nogueira

Sobre a importância dos hábitos

COMO ELES PODEM DESTRUIR OU CONSTRUIR UMA VIDA LEVE REPLETA DE REALIZAÇÕES


Os grandes problemas e as grandes evoluções raramente são frutos de um único movimento ou escolha.


Em geral, os eventos mais traumáticos constituem o desfecho de uma série de pequenas negligências e discretos excessos que, ao se acumularem, gradativamente corroem as bases de uma situação favorável e promissora, desestabilizando suas relações inerentes e fundamentais, a partir da saturação da resistência ao estresse consistente.


Tomemos uma relação afetiva que termina em traição, por exemplo. O ato em si, geralmente tido como o evento de ruptura, só é possível quando diversos pequenos atos anteriores, de ambas as partes, criam espaço para dúvidas, disputas, carências e cobranças, as quais crescem e se acumulam produzindo inúmeras oportunidades para escolhas egoístas, pautadas em sentimentos de mágoa que geram a sensação de vitimismo e o desejo de vingança, os quais podem até serem inconscientes! Até que, certo dia, alguém dá um passo em falso e pronto. Tudo se acaba.


Problemas de obesidade, quando o sujeito não porta patologias específicas, são outro bom exemplo. Nesse caso, a constante negligência com a qualidade da alimentação e das atividades físicas e o excesso da ingestão de alimentos nocivos à saúde e de alto valor calórico, produzem resultados que só são percebidos no longo prazo. A obesidade promove diversos e sérios problemas de saúde, tanto no que se refere ao corpo, quanto à mente do sujeito. Além das limitações e implicações físicas, há sérios danos na autoestima e no equilíbrio emocional frente aos desafios do cotidiano.


Podemos dizer que o maior vilão dos grandes eventos desagradáveis da vida são os maus hábitos. A falta de consciência é o principal fator que alimenta os maus hábitos, colocando o foco do indivíduo em julgamentos, dúvidas, inseguranças, medos, mágoas, enfim, toda a sorte de sentimentos negativos que levam à fuga da realidade, à busca pela gratificação imediata, à transferência de responsabilidade para terceiros (outras pessoas, o universo, a sorte, o carma, o destino, etc.) e à expectativa de um evento externo que desafie o desânimo e preencha a carência.


Por sorte, talvez, a solução também está nos hábitos. Nos hábitos saudáveis, que são as atitudes, as posturas, as ações e os movimentos frequentes que facilitam a criação da vida que você deseja viver. Construir esses “bons” hábitos é mais simples do que se pensa. Entretanto, muitos se perdem logo no início do processo de mudança, impulsionados pelos mesmos fatores que geram os problemas: os “maus” hábitos.


Pense em hábitos como um projeto de vida e não um projeto pontual. Ao invés de mudar drasticamente tudo em sua rotina, um primeiro e bem sucedido passo pode ser escolher um único hábito, relevante para a sua questão, que você quer e pode mudar primeiro, e pergunte a si mesmo:


“⸻Quão forte é esse hábito?”

“⸻Se eu mudar o contexto (a situação, o momento ou o lugar), o hábito permanece ou não?”

“⸻Qual é a intensidade do esforço que eu aplico para realizar esse hábito?”


A partir disso, escolha objetivos concretos ⸻mensuráveis e atingíveis⸻ e atrele uma identidade a eles ⸻alguém real ou fictício que seja ou represente aquele aspecto específico que você quer ter ou eliminar como hábitos. Pense nisso em tudo o que você for fazer na sua rotina. Pergunte-se: “⸻Isso me aproxima ou me afasta do que eu quero ser?” Então, mude o que precisa ser mudado pra se alinhar a essa identidade.


Feito isso, visualize cada passo do hábito que você busca criar ou modificar e dê ênfase ao imaginar o resultado positivo desse processo com a maior riqueza de detalhes possível. Isso diminuirá consideravelmente o esforço necessário para iniciar a ação e colocar o novo hábito em prática.


Escolha o período do dia mais favorável para se dedicar à nova prática. Esse período é o momento em que você se sente mais disposto para a prática do novo ato. Estabelecido o período da prática, o mesmo deve ser mantido como rotina em todos os dias ou momentos definidos para a prática ⸻a criação e a manutenção de uma frequência é essencial para a construção de um hábito.


O último ponto é a disciplina. Falo da escolha que gera a determinação de fazer o que precisa ser feito independentemente da vontade de não o fazer ou de fazer outra coisa no lugar. Você provavelmente só conseguirá ter essa determinação se a sua escolha for verdadeira, legítima, ou seja, apoie-se na consciência sobre si, sobre o contexto e sobre todas as implicações de seus atos, deixe os julgamentos de lado e encontre um forte propósito para promover essa mudança.


Se você seguir esses simples passos para o primeiro hábito que quer mudar, aplicar o mesmo processo em outros tantos hábitos, quanto forem relevantes para criar a vida que você deseja, será cada vez mais fácil!



Cássio C. Nogueira*

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