Buscar
  • Cássio C. Nogueira

Mindfulness e eu

Tempos atrás e vivia ouvindo a palavra “mindfulness”. Eram cursos, palestras, “workshops”, conversas, etc. Eu não entendia muito bem a concepção que pregavam, mas não estava disposto a pagar caro pra saber. Decidi comprar um livro. Foi então que aquela cultura que me vendiam fez menos sentido ainda.


O fato é que a coisa toda me parecia bem mais simples e tinha a ver mais com a perspectiva dos eventos da vida e menos com uma filosofia complexa e extenuante. Obviamente, eu posso estar redonda, triangular ou quadradamente equivocado, mas o que eu entendi sobre “mindfulness” e passei a praticar a partir da leitura tem feito muito sentido e produzido repetidas experiências gratificantes.


No último sábado, por exemplo, fui ao Urbe Café Bar, um dos meus locais preferidos em São Paulo. Estava na calçada, tomando meu café, e notei a sutil e eficiente ação do segurança Jorge, quando um indivíduo ameaçou me abordar. Maior do que eu, sua postura sugere agressividade, mas começamos a conversar e percebi ali uma mente extremamente inteligente, sensível e com muita coisa boa pra dizer. Acontece que a conversa estava tão interessante que nem a oportunidade de uma paquera me tirou a concentração daquele papo.


“―Tá! Mas e daí? Você perdeu a paquera...”


Daí que, não fosse o “mindfulness”, eu provavelmente teria perdido a oportunidade de fazer um novo amigo e de ouvir opiniões muito interessantes, de um profissional que tem um papel fundamental no conforto da experiência de todos os frequentadores do Urbe. Tudo bem que eu perdi a paquera, mas seu eu ceder à ânsia de agarrar cada oportunidade que se apresenta, não aproveitarei coisa alguma, nem mesmo outras paqueras, porque o tempo todo somos bombardeados por “oportunidades” que tentam roubar nossa atenção. Por isso também que meu “smartphone” fica esquecido no bolso sempre que estou com amigos ou em uma conversa.


"Mindfulness" é difícil de explicar em conceitos teóricos, mas me parece óbvio quando descrevo o comprometimento com o momento que se vive, onde nada é capaz de tirar o foco daquilo em se está imerso. Isso é aproveitar o momento e viver a vida pra mim.

_____________

REFERÊNCIAS:

_CHEUNG, L; HANH, T. N. Savor―mindful eating mindful mind: Reprint. San Franciso: HarperOne, 2011.

2 visualizações