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  • Cássio C. Nogueira

Precisamos aplicar pra falar sobre



Uma língua nasce, evolui e se especializa ao longo do desenvolvimento da sociedade, como um fenômeno resultante de sua cultura, uma expressão dela. Uma cultura que enriquece traz consigo uma língua cada vez mais eficiente e uma cultura se enriquece quando e porque seus indivíduos se desenvolvem.

Essa cultura começa a empobrecer quando esses mesmos indivíduos param de cultivar seus valores mais importantes, básicos e rotineiros. Não são os grandes eventos que alteram o curso da história; é o cotidiano é que faz isso ⸻de fato, grandes eventos são consequências do acúmulo de pequenos e rotineiros acontecimentos.

A busca pelo mais fácil e mais simples é a força motriz da deterioração social, porque reflete a busca excessiva pelo mínimo esforço, pela indulgência e pelo materialismo. Esses são em geral os gatilhos do empobrecimento cultural, por consequência. Daí, a desestruturação político-econômica se dá em cadeia, lenta, mas avassaladora.

Um dos sintomas e também aceleradores mais expressivos desse problema está no empobrecimento da linguagem, evidente na propagação do uso equivocado de vocábulos nativos, a incorporação ou adaptação desnecessária de estrangeirismos, a invenção de palavras para expressar o que já tem significante competente na língua e, o pior de todos, mudar o nome de algo sob o pretexto de estar mudando seu significado sem sequer tocar a coisa em si.

Talvez seja por isso que alguns digam que a língua é o caráter de um povo ⸻e tem até livro com este título!

Não se trata de preciosismo, mas da percepção de um problema potencial, pois o mal uso dos significantes é responsável por uma porção relevante dos conflitos interpessoais ⸻mais da metade deles⸻, frequentemente resultante da interpretação equivocada da mensagem.

A palavra usada em sentido inadequado gera incongruências entre a intenção do emissor e a compreensão do receptor, quando ambos acreditam haver total entendimento da mensagem.

Já a palavra adaptada ou inventada sem necessidade ⸻quando já existem significantes competentes na língua nativa⸻ tende a não acompanhar os princípios estruturais do colóquio tradicional, gerando uma perigosa subjetividade que resultará em compreensões e deduções maiores, menores, distorcidas ou díspares da intenção original da mensagem.

Há aqueles que defenderão esses eventos como um processo natural e evolutivo da linguagem e, até certo ponto, eu concordo que seja esse mesmo o fato. Entretanto, não é o fenômeno que me preocupa, mas os efeitos cognitivos, emocionais e sociais dessa “evolução”, que pode ser natural, posto que acontece sem planejamento, mas que é irresponsável por ser resultante não do desenvolvimento e da expansão da consciência, mas da preguiça, da incompetência e da superficialidade.

Uma cultura expõe os elementos que trazem sentido e motivação à vida dos indivíduos em uma sociedade. Essa exposição carrega o valor desses elementos para os indivíduos e contribui para a coesão, a justiça e o desenvolvimento de toda essa sociedade nessa mesma postura. Daí a importância da estética e dos rituais, não como símbolos de privilégios, mas como agentes legítimos da cotidiana valorização dos esforços produtivos de um povo.

Por isso, investir no estudo da própria língua e no aprimoramento do uso de sua forma clássica e seus rituais é de suma importância para o crescimento de uma sociedade e de seus indivíduos, aliás, PARA O SEU CRESCIMENTO! _____________________ #comunicacao #ComunicacaoAssertiva

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